Claro que eu sei que minha afirmação é ridícula. No entanto, não seria de se espantar se o ilustríssimo presidente Lula levasse a seríssimo o título deste post. Em mais um de seus discursos improvisados aparvalhados, o ex-metalúrgico e chefe de estado (ainda mais presente em seu comportamento público a primeira característica do que a segunda) apontou o tsunami que arrasou a costa asiática como "um sinal de que a natureza deve ser tratada com mais carinho". Gaaaaaaaaaa?
Não vou falar do governo Lula, vou falar dele, mesmo, Luís Inácio da Silva, este homem que definitivamente não aprendeu a vestir o uniforme que acompanha seu cargo. Depois de duas décadas de dedicação exclusiva à sua candidatura à presidência, é de me causar profundo espanto que pessoa tão extensivamente preparada para a exposição e o julgamento crítico públicos falte tão repetidamente com normas básicas de conduta, e, sobretudo, com um mínimo de senso de ridículo.
Triste é ter um presidente que é lembrado por suas metáforas descabidas e por seu apreço a uma boa aguardente. Lula exagera na dose, e não falo apenas de cachaça. Esbanja populismo ralo com seus improvisos explicativos, que visam esclarecer ao leigo -- que, ao que tudo indica, o chefe de Estado julga ser portador de deficiência mental, ou talvez só dê essa impressão devido a carência grave de nutrientes que ele próprio possa ter sofrido na infância (que na vida adulta é que não foi, como bem sabemos) -- temas como a condução de política econômica: "O que a gente não pode deixar é a inflação subir. É como quando um sujeito se descuida, exagera no churrasco e engorda um quilo no fim-de-semana. Para perder esse quilo, demora meses..." Obrigada, senhor presidente, pela contribuição com o esclarecimento do povo brasileiro, que precisa mesmo de mais parábolas para garantir o seu nível de deseducação e despreparo.
Ridículo é, depois daquela palhaçada que foi feita com o jornalista Larry Rohter, praticamente expulso do país por sugerir no jornal americano The New York Times que "alguns de seus conterrâneos começaram a se perguntar se a predileção do presidente por bebidas fortes está afetando sua atuação no governo", o presidente continuar a ser filmado e fotografado, em grande parte de suas aparições públicas, com um copo de bebida alcóolica na mão. O.K., o que mais falta para ele perceber que este comportamento não é, nem de longe, adequado a um líder de Estado?
Vergonha na cara, só pode ser, porque dinheiro não falta, nem conselho, nem crítica. Fazer o quê? Infelizmente, senso de ridículo não se adquire -- nem nos melhores livros de etiqueta da Gloria Khalil.