sexta-feira, dezembro 03, 2004

O Rio de Janeiro (é e) continua (uma merda) lindo

Este país consegue ser uma merda no detalhe. Não, não é só no agregado, não. Tudo aqui é atraso e subdesenvolvimento, cada vírgula é mal-colocada de forma a atrapalhar ainda mais a sintaxe confusa desta frase que é o Brasil.

O Rio de Janeiro é uma enorme lata de lixo, um poço de ineficiência disfarçado de arbusto, para que não o enxerguemos como é: uma cidade suja, perigosa, mal-cuidada, uma infra-estrutura de fazer corar qualquer pessoa que tenha critério. Disse uma vez em meu outro blog e repito aqui, com muito mais raiva: eu não recomendaria esta cidade a NENHUM colega estrangeiro meu, sequer a um de outro estado que não a conheça. Ninguém merece gastar uma fortuna para ser recebido por aquele fedor horrível nos entornos do Galeão, ser enrolado por taxistas, aturar pivetes-malabaristas-ladrões a cada sinal de trânsito, correr risco ALTO de ser assaltado à mão armada à noite, ou furtado, a absolutamente qualquer hora do dia. Ninguém merece ir para longe de casa para ficar preso no trânsito em São Conrado enquanto um corriqueiro tiroteio corre solto na Rocinha.

E como se espera que esse país vá para frente com seus agentes econômicos sendo acuados dessa forma? Aqui nessa cidadezinha fedida de merda, perde-se diariamente duas, três horas por dia, no mínimo, no trânsito: basta não morar (e trabalhar) perto do metrô (que, por sua vez, é uma rede ridiculamente pequena), que pronto, lá se vai o seu dia inteiro na porra do ônibus ou na merda do carro, e para que uma pessoa iria querer ter vida além de ir para a faculdade, para o trabalho, comer (se sobrar tempo) e dormir (pouco)? Por que, por exemplo, alguém poderia querer estudar em casa, ao invés de ir à faculdade sem fazer a menor idéia do que se passa porque não se tem tempo de fixar o aprendizado quando se sai dela, ou, talvez, porque não se adaptar e passar a estudar, namorar, comer, dormir na porra do maldito ônibus? É isso, as autoridades brasileiras (especificamente cariocas) querem estimular a nossa resourcefullness, tornando-nos mais competitivos perante o mercado de trabalho mundial.

Cheguei em casa (depois de 4 horas no trânsito) babando de ódio e ouvi um "Calma, você já está toda empipocada (eu fico cheia de placas vermelhas pelo corpo quando estou nervosa, é uma espécie de reação alérgica bizarra a estresse que tenho) vai acabar quebrando a casa inteira se continuar com raiva desse jeito..." Que quebrar a casa o quê, eu queria era quebrar a cara dos últimos 10 filhos da puta que governaram esta maldita cidade.

Puxa, como o Brizolla tem sorte em já ter morrido.