segunda-feira, dezembro 01, 2003

Para os nacionalistas uma historinha...

Histórias sobre a bandeira do Brasil

Agência Informes e redação, 20 de novembro, 2003
O deputado Chico Alencar (PT-RJ) apresenta ao Ministério da Educação nesta quarta-feira, Dia da Bandeira, sugestão para que sejam divulgadas, em toda a rede escolar do país, informações sobre a bandeira brasileira, "nosso símbolo nacional mais conhecido, que completa 114 anos", lembra Alencar, professor de história.

Entre as curiosidades em torno da bandeira está o significado das cores. "As básicas, o verde e o amarelo, vêm desde o tempo do Império e foram sugeridas pelo pintor francês Debret", explica o deputado, que apresentou projeto de lei para incluir a palavra "amor" antes de "ordem e progresso" na faixa branca - que simboliza a paz.

Outro detalhe pitoresco, citado por Alencar, refere-se à primeira bandeira da República brasileira, cópia em verde e amarelo da bandeira norte-americana: durou apenas do dia 15 ao dia 19 de novembro de 1889. O destino das bandeiras nacionais rotas, decidido em solenidades anuais de incineração em 19 de novembro, também deveria ser ensinado, defende o petista.

"A proposta que faço ao MEC, de cunho pedagógico, está dentro da orientação geral do governo Lula, de recuperar a auto-estima nacional", afirma Chico Alencar. Para ele, é preciso superar a pouca atenção em relação à bandeira entre nós, "ao contrário do que ocorre em muitos outros países, como Cuba, México e Estados Unidos".

Leia pronunciamento do deputado

O amor por princípio
Falo aqui, neste 19 de novembro, de amor à Bandeira e do "Amor" na nossa Bandeira. Isso tem a ver com o espírito humano, com nossa capacidade singular de criar símbolos, signos, significados.

Aqui, quase todos mantemos aquela curiosidade de criança, ao olhar as 193 diferentes bandeiras dos países, da auri-verde-rubro-negra do Zimbábue à alvi-marron do Qatar. Estes símbolos são bonitos porque resumem, em cores e desenhos, onde há muitas estrelas, luas, sóis, pássaros e árvores, os valores e a história de cada nação.

Bandeiras afirmam pátrias e soberanias. Por isso, no Brasil, o pavilhão de outro país só pode ser hasteado, fora de embaixadas e consulados, tendo ao seu lado direito o nosso, em posição mais elevada e do mesmo tamanho. Bandeira rasgada não pode virar pano de chão. Ela deve ser entregue a uma unidade militar e solenemente incinerada no 19 de novembro.

Bandeira é identidade coletiva de cada cidadão. Há países, como Cuba, México e EUA, só para ficar na América, que estimulam a colocação dela em cada moradia e não apenas em repartições públicas. No Brasil este saudável hábito ainda não chegou, a não ser em época de Copa do Mundo...

A bandeira brasileira nem sempre foi esta. O pintor francês Debret, em 1822, sugeriu o verde e o amarelo, por representarem as famílias de Bragança e Habsburgo, do casal imperial, mas também certamente impressionado com as vivas tonalidades da natureza tropical. As cores básicas continuam até hoje, lembrando nossas matas, crescentemente derrubadas, e nosso rico solo, tão cobiçado, ou mesmo o generoso sol tropical, cuja energia é mal aproveitada.

Com a Proclamação da República, durante quatro dias a bandeira brasileira foi cópia da norte-americana, numa espécie de seqüestro da nossa criatividade artística. Felizmente, o trabalho conjunto de Teixeira Mendes, Miguel Lemos e do desenhista Décio Vilares resultou, há 114 anos, no "lindo pendão da esperança" que todos respeitamos.

Ali estão o azul do céu, que a poluição atmosférica nem sempre deixa ver, as estrelas representando os estados, dispostas como eram vistas no Rio de Janeiro, naquele novembro do final do século XIX, e os dizeres "Ordem e Progresso" na faixa branca, da almejada paz. Aliás, além da nossa, só a bandeira da Arábia Saudita tem um dístico ("Só há um Deus e Maomé, seu profeta"), pois este símbolo é essencialmente visual, pictórico, sensitivo. Pena que nesses 114 anos de existência do lema os donos do poder tenham reservado, em geral, ordem para os de baixo e progresso só para os de cima...

Mas a frase está incompleta. O resumo do ideal positivista de Augusto Comte, que inspirava os republicanos, é "o amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim". Por isso, muitos brasileiros querem acrescentar a esquecida (logo ela!) palavra AMOR na nossa bandeira. Apresentei projeto com esta finalidade. Seria uma dica para colocarmos mais fraternidade e solidariedade no cotidiano dos brasileiros, além de reparação do lema histórico. Poetas e músicos como Olavo Bilac e Francisco Braga, foram mais inspirados: no seu belo Hino à Bandeira há justiça, paz e amor, mas não ordem ou progresso, que só são mesmo rima e solução junto a outras expressões... Dê bandeira, patrício e patrícia: ame!